O estudo analisa os impactos pedagógicos e subjetivos da formação “SIM para a Inclusão – Sensibilizar, Inspirar e Mover-se”, realizada no segundo semestre do ano de 2025 no município de Francisco Morato/SP.
A pesquisa foi construída a partir da análise de 148 avaliações produzidas por professores, gestores escolares, profissionais de apoio e equipes pedagógicas participantes da formação.
O artigo evidencia como processos formativos fundamentados nos princípios pedagógicos do Instituto Esporte e Educação — Inclusão, Diversidade, Autonomia, Educação Integral e Construção Coletiva — podem fortalecer práticas inclusivas, ampliar repertórios pedagógicos e produzir transformação do olhar docente.
A investigação também dialoga com os estudos da Dra. Raquel Del Monde, Lucelmo Lacerda e João Batista Freire, especialmente no campo da neurodivergência, da acessibilidade pedagógica e da experiência corporal como espaço de aprendizagem e pertencimento.
Os resultados demonstram elevados índices de satisfação e aplicabilidade, além de progressivo aprofundamento reflexivo dos participantes ao longo dos módulos formativos.
Mais do que transmitir conteúdos sobre inclusão, a formação buscou produzir sensibilização, participação coletiva e construção de práticas pedagógicas mais humanizadas.
Resumo
O presente artigo analisa os impactos quantitativos e qualitativos da formação continuada “SIM para a Inclusão – Sensibilizar, Inspirar e Mover-se”, realizada de forma presencial e a distância no município de Francisco Morato/SP no segundo semestre do ano de 2025. A formação foi organizada em quatro módulos presenciais e a distância realizados entre agosto e novembro e envolveu profissionais da educação, especialmente professores de educação física, professores de educação infantil, professores do AEE – Atendimento Educacional Especializado, equipes pedagógicas e de salas de recurso, gestores escolares e profissionais ligados às práticas inclusivas e ao atendimento de estudantes neurodivergentes. A pesquisa baseia-se na análise documental das avaliações produzidas pelos participantes ao final de cada módulo formativo. Foram considerados indicadores quantitativos relacionados à satisfação e aplicabilidade dos conteúdos, bem como análise qualitativa dos depoimentos escritos pelos participantes. Os resultados demonstram elevados índices de satisfação, forte percepção de aplicabilidade prática e significativa mobilização subjetiva dos profissionais envolvidos. A análise qualitativa revela recorrência de temas relacionados à inclusão, participação, adaptação pedagógica, humanização das relações escolares, pertencimento e neurodivergência. Observou-se ainda progressivo aprofundamento reflexivo dos participantes ao longo dos módulos, indicando que a formação operou não apenas como transmissão de conteúdos, mas como processo contínuo de deslocamento pedagógico e construção de novas perspectivas sobre a prática docente. O estudo dialoga especialmente com os referenciais do Instituto Esporte e Educação e com as contribuições teóricas da Dra. Raquel Del Monde sobre inclusão, neurodivergência e humanização pedagógica.
Palavras-chave: inclusão escolar; neurodivergência; esporte educacional; formação continuada; práticas inclusivas; humanização pedagógica.
Introdução
Os desafios contemporâneos relacionados à inclusão escolar têm produzido profundas transformações no campo da educação brasileira. A ampliação do acesso de estudantes neurodivergentes às escolas regulares, associada às demandas por acessibilidade pedagógica, participação e pertencimento, exige revisão constante das práticas educativas e dos processos formativos destinados aos profissionais da educação.
Nesse cenário, torna-se cada vez mais evidente que a inclusão não pode ser compreendida apenas como adequação normativa ou cumprimento legal. A presença física dos estudantes nos espaços escolares não garante, por si só, experiências efetivas de aprendizagem, participação e reconhecimento.
A construção de práticas inclusivas implica deslocamentos éticos, pedagógicos e relacionais capazes de reorganizar os modos de ensinar, conviver e compreender as diferenças humanas.
As discussões sobre neurodivergência ampliam ainda mais a complexidade desse contexto.
Professores, equipes pedagógicas e profissionais de apoio convivem diariamente com desafios relacionados à comunicação, regulação emocional, participação coletiva, adaptação curricular e mediação pedagógica.
Entretanto, muitos profissionais relatam sentimento de insegurança e insuficiência diante das demandas concretas da inclusão escolar.
Grande parte das formações continuadas oferecidas às redes de ensino ainda opera sob lógica excessivamente teórica ou burocrática, distante das experiências reais vividas nas escolas.
É nesse contexto que emerge a formação “SIM para a Inclusão – Sensibilizar, Inspirar e Mover-se”, desenvolvida no município de Francisco Morato/SP.
A proposta formativa buscou articular:
– sensibilização;
– experiências corporais;
– participação coletiva;
– reflexão pedagógica;
– estratégias inclusivas;
– adaptação das práticas;
– humanização das relações escolares.
O próprio nome da formação expressa dimensões fundamentais da proposta.
“Sensibilizar” refere-se à necessidade de mobilização ética e afetiva dos profissionais.
“Inspirar” relaciona-se à construção de novas possibilidades pedagógicas e novos sentidos para a prática educativa.
“Mover-se” representa deslocamento, transformação e reorganização das experiências escolares.
Ao longo dos módulos, os participantes foram convidados não apenas a adquirir conteúdos sobre inclusão e neurodivergência, mas também a revisitar concepções sobre aprendizagem, participação, convivência e acessibilidade.
Os depoimentos analisados demonstram que a formação produziu impactos que ultrapassaram significativamente o plano técnico-metodológico.
As avaliações evidenciam:
– ampliação da sensibilidade pedagógica;
– fortalecimento do repertório metodológico;
– reflexão crítica sobre a prática docente;
– valorização das singularidades;
– preocupação com pertencimento;
– reorganização das estratégias pedagógicas.
Outro aspecto relevante refere-se ao caráter processual da formação.
Diferentemente de ações pontuais de capacitação, os módulos analisados demonstram progressivo aprofundamento reflexivo dos participantes ao longo do tempo.
Os registros produzidos nas avaliações revelam que muitos profissionais passaram gradualmente a:
– relacionar teoria e prática;
– descrever experiências concretas;
– refletir sobre adaptação pedagógica;
– reconhecer desafios institucionais;
– compreender inclusão como construção relacional e coletiva.
O presente artigo busca analisar os impactos quantitativos e qualitativos dessa experiência formativa a partir das 148 avaliações produzidas pelos participantes entre agosto e novembro de 2025.
Os objetivos específicos da pesquisa foram:
– analisar os indicadores de satisfação e aplicabilidade;
– identificar os principais temas emergentes nos depoimentos;
– compreender os impactos subjetivos da formação;
– analisar a evolução reflexiva dos participantes ao longo dos módulos;
– discutir as contribuições da formação para fortalecimento das práticas inclusivas.
A pesquisa dialoga especialmente com:
– os cinco princípios pedagógicos do Instituto Esporte e Educação — Inclusão, Diversidade, Autonomia, Educação Integral e Construção Coletiva;
– as contribuições da Dra. Raquel Del Monde;
– os estudos de Lucelmo Lacerda sobre inclusão e neurodivergência;
– as reflexões de João Batista Freire sobre experiência corporal e formação humana.

Fundamentação Teórica
2.1 Inclusão e Humanização da Prática Pedagógica
As discussões contemporâneas sobre inclusão escolar vêm sendo profundamente impactadas pelos estudos sobre neurodivergência, especialmente no campo do autismo e dos transtornos do neurodesenvolvimento.
Lucelmo Lacerda destaca que a inclusão escolar não pode ser reduzida a mera presença física do estudante no espaço escolar. Para o autor, práticas inclusivas exigem planejamento pedagógico, intencionalidade educativa, adaptação curricular e mediação qualificada.
Lacerda enfatiza ainda que a inclusão efetiva depende da construção de ambientes pedagógicos previsíveis, acessíveis e capazes de promover participação significativa dos estudantes neurodivergentes.
Entre os aspectos frequentemente discutidos pelo autor estão:
– mediação pedagógica estruturada;
– adaptação das rotinas;
– flexibilização metodológica;
– comunicação acessível;
– organização dos estímulos;
– valorização das potencialidades individuais.
Outro ponto central em suas reflexões refere-se à necessidade de superação de perspectivas exclusivamente assistencialistas da inclusão.
Segundo o autor, inclusão escolar pressupõe direito à aprendizagem, participação ativa e desenvolvimento das potencialidades dos estudantes.
Os depoimentos analisados nesta pesquisa dialogam fortemente com essas perspectivas, especialmente quando os participantes destacam:
– adaptação das atividades;
– reorganização dos jogos;
– participação de todos;
– flexibilização dos níveis de dificuldade;
– necessidade de novos olhares sobre neurodivergência.
A Dra. Raquel Del Monde destaca que processos inclusivos verdadeiramente significativos exigem reorganização profunda das práticas pedagógicas, das relações escolares e dos modos de compreender a aprendizagem.
A educação inclusiva exige muito mais do que a inserção física dos estudantes nos espaços escolares. Trata-se da construção de ambientes pedagógicos capazes de acolher singularidades, promover pertencimento e garantir
– participação efetiva.
– Segundo a autora, a inclusão pressupõe:
– escuta ativa;
– reconhecimento das diferenças;
– flexibilização metodológica;
– adaptação pedagógica;
– valorização das múltiplas formas de participação.
As discussões sobre neurodivergência ampliam ainda mais a complexidade do trabalho pedagógico contemporâneo.
A atuação junto a estudantes autistas, estudantes com TDAH, deficiência intelectual e outras condições do neurodesenvolvimento exige dos profissionais não apenas repertório técnico, mas sensibilidade relacional e compreensão ética das singularidades humanas.

Os depoimentos analisados nesta pesquisa demonstram forte aproximação com essas perspectivas, especialmente quando os participantes mencionam:
– respeito às diferenças;
– adaptação das atividades;
– participação de todos;
– construção de pertencimento;
– reorganização da prática pedagógica.
2.2 A Metodologia do Instituto Esporte e Educação e o Sistema S.I.M. para a Inclusão
A metodologia utilizada nas formações do programa “SIM para a Inclusão – Sensibilizar, Inspirar e Mover-se” fundamenta-se nos princípios pedagógicos do Instituto Esporte e Educação (IEE) em uma concepção da aprendizagem articulando inclusão, experiência corporal, diversificação pedagógica e participação coletiva.
O modelo pedagógico desenvolvido pelo IEE organiza-se a partir de cinco princípios estruturantes:
– Inclusão;
– Diversidade;
– Autonomia;
– Educação Integral;
– Construção Coletiva.
Esses princípios constituem a base epistemológica das práticas formativas e das intervenções pedagógicas realizadas nos projetos de esporte educacional, especialmente nas ações voltadas à inclusão de crianças e adolescentes neurodivergentes.
A Inclusão é compreendida como criação de condições efetivas de participação de todos os sujeitos nas experiências corporais e esportivas, por meio de adaptações de regras, materiais, tempos, espaços e estratégias pedagógicas.
A Diversidade é entendida como reconhecimento das singularidades humanas e valorização das diferenças enquanto potência educativa. O princípio orienta práticas pedagógicas que rompem com modelos homogêneos de ensino e defendem múltiplas formas de participação e aprendizagem.
A Autonomia relaciona-se ao protagonismo dos estudantes, à participação ativa nos processos decisórios e à construção de práticas emancipatórias, nas quais os sujeitos possam compreender, transformar e reorganizar suas experiências de aprendizagem.
A Educação Integral compreende o desenvolvimento humano em suas múltiplas dimensões — cognitivas, corporais, emocionais, sociais e culturais — reconhecendo o esporte educacional como espaço de formação ampla e humanizadora.
Já a Construção Coletiva pressupõe participação democrática de estudantes, professores, famílias e comunidade na elaboração, execução e avaliação das experiências pedagógicas.
A partir desses princípios, o Sistema S.I.M. organiza a metodologia formativa em três dimensões integradas:
– Sensibilizar;
– Inspirar;
– Mover-se.
Sensibilizar refere-se à mobilização ética e afetiva necessária para construção de práticas inclusivas. Parte-se da compreensão de que a inclusão exige transformação do olhar pedagógico e desenvolvimento de sensibilidade relacional.
Inspirar relaciona-se à ampliação do repertório pedagógico por meio da apresentação de estratégias, referências teóricas, experiências práticas e estudos sobre neurodivergência, inclusão e acessibilidade pedagógica.
Mover-se representa a concretização prática da inclusão por meio da reorganização das experiências corporais, da flexibilização pedagógica e da diversificação dos cenários de aprendizagem.
Um dos principais referenciais metodológicos do sistema é a chamada Tríade da Inclusão:
– comunicação;
– cenário de aprendizagem;
– intervenção pedagógica.
A comunicação envolve o uso de estratégias acessíveis e diversificadas, como histórias sociais, banners de rotina, cartões pedagógicos e múltiplas linguagens de mediação, buscando tornar os ambientes mais previsíveis, compreensíveis e seguros para crianças e adolescentes neurodivergentes.
O cenário de aprendizagem refere-se à organização intencional dos espaços, materiais e experiências corporais, valorizando diversidade de estímulos, experimentação, enriquecimento ambiental e adaptação das propostas pedagógicas.
Já a intervenção pedagógica diz respeito à atuação do educador como mediador do processo de aprendizagem, utilizando estratégias de flexibilização, diversificação e ajuda ajustada para promover participação efetiva de todos os estudantes.
Outro elemento central da metodologia é o Sistema PROTEGE, ferramenta didática desenvolvida pelo IEE para apoiar processos de flexibilização e diversificação pedagógica. O sistema organiza as intervenções a partir de sete variáveis:
– Pessoas;
– Recursos;
– Organizar regras;
– Tempo;
– Espaço;
– Gestos;
– Estruturar funções.
A lógica do PROTEGE parte da compreensão de que:
a aprendizagem é dinâmica;
– não linear;
– individual;
– reconstrutiva;
– irreversível.
Nessa perspectiva, a pedagogia inclusiva fundamenta-se na diversificação permanente das experiências de ensino, reconhecendo que diferentes sujeitos aprendem de formas distintas e necessitam de diferentes níveis de suporte para participação e aprendizagem significativa.
As práticas desenvolvidas durante as formações presenciais analisadas nesta pesquisa dialogam diretamente com esses referenciais metodológicos, especialmente quando os participantes destacam adaptação das atividades, diversificação dos materiais, flexibilização das regras, construção coletiva das experiências e valorização das singularidades.
2.3 Formação Continuada e Mobilização Subjetiva
Nóvoa (1995) afirma que formações docentes significativas não se restringem à transmissão de conteúdos, mas promovem reconstrução da identidade profissional e revisão da prática pedagógica.
Nesse sentido, formações continuadas possuem maior impacto quando articulam:
– experiência;
– participação;
– reflexão coletiva;
– problematização da prática;
– produção de sentido.
Os depoimentos analisados nesta pesquisa evidenciam precisamente esse movimento.
Muitos participantes não apenas avaliaram positivamente os conteúdos, mas demonstraram processos de deslocamento subjetivo e reflexão ética sobre inclusão, acessibilidade e participação.
A pesquisa caracteriza-se como estudo documental de natureza qualitativa e quantitativa.
Foram analisadas 148 avaliações produzidas pelos participantes da formação “SIM para a Inclusão – Sensibilizar, Inspirar e Mover-se”, realizadas entre agosto e novembro de 2025 no município de Francisco Morato/SP.
3.1 Participantes
– Participaram da formação:
– professores da rede pública;
– profissionais de apoio escolar;
– equipes pedagógicas;
– gestores escolares;
– profissionais envolvidos com inclusão e neurodivergência.
Os módulos foram realizados em formato presencial e a distância.
As avaliações continham:
Indicadores quantitativos relacionados à:
satisfação com a formação;
aplicabilidade dos conteúdos.
Questões abertas relacionadas a:
aprendizagens significativas;
impactos na prática cotidiana;
aspectos positivos da formação;
sugestões e comentários.
3.3 Procedimentos de Análise
A análise quantitativa considerou os índices de satisfação e aplicabilidade presentes nas avaliações.
A análise qualitativa utilizou:
recorrência temática;
profundidade reflexiva;
linguagem afetiva;
demonstração de transformação de perspectiva;
relação entre teoria e prática;
intensidade discursiva;
presença de autorreferência.
Também foi considerada a evolução discursiva dos participantes ao longo dos módulos.
Resultados
A análise das 148 avaliações coletadas ao longo dos quatro módulos demonstra elevado índice de aprovação da formação em todos os encontros realizados.
Estima-se que aproximadamente 90% a 95% dos participantes classificaram os conteúdos como “totalmente satisfatórios”, enquanto cerca de 5% a 10% os avaliaram como “satisfatórios”. Os índices de rejeição ou insatisfação foram praticamente inexistentes.
Em relação à aplicabilidade dos conteúdos e estratégias pedagógicas, estima-se que mais de 90% dos participantes consideraram as propostas totalmente aplicáveis ao cotidiano escolar, especialmente no contexto da inclusão e da neurodivergência.
Observou-se predominância quase absoluta das categorias:
– “totalmente satisfeito”;
– “totalmente aplicável”.
Os participantes destacaram especialmente:
– clareza metodológica;
– aplicabilidade prática;
– qualidade das dinâmicas;
– relevância dos temas abordados;
– potencial de adaptação das atividades.
Os índices de rejeição foram praticamente inexistentes ao longo dos módulos analisados.
Outro aspecto importante foi a recorrência da percepção de aplicabilidade imediata.
Diversos participantes afirmaram que as estratégias apresentadas poderiam ser utilizadas diretamente:
em sala de aula;
nas quadras;
em atividades inclusivas;
no trabalho cotidiano com estudantes neurodivergentes.
Os registros demonstram forte relação entre a formação e os desafios concretos vividos pelos profissionais da educação.
4.1 Inclusão como eixo central da formação
Os depoimentos autorizados pelos participantes evidenciam forte mobilização em torno da temática da inclusão e da adaptação pedagógica.
– Uma participante afirma:
– “A formação foi maravilhosa e substancial. Estratégias inovadoras diversas de como agir no nosso público.” — – – Leonara da Cruz Santana
– Outro depoimento destaca:
– “Aprendizagens simples com ideias para executar na escola de forma leve e envolvente.” — Keoma Santos
Também aparece com frequência a percepção de que a inclusão precisa ser compreendida como reorganização das práticas pedagógicas:
– “As atividades totalmente aplicáveis, precisamos apenas de serem aplicadas.” — Sandra Cristina Alves Pereira
– Esses relatos revelam aproximação entre a formação e os desafios concretos enfrentados pelos profissionais da educação no cotidiano escolar.
– O tema mais recorrente nos depoimentos foi a inclusão.
– Os participantes frequentemente mencionaram:
– participação de todos;
– adaptação das atividades;
– acessibilidade;
– respeito às diferenças;
– acolhimento;
– pertencimento.
Muitos depoimentos revelam mudança significativa de perspectiva sobre inclusão.
– Os participantes passam a compreender a adaptação pedagógica não como exceção, mas como princípio organizador das práticas educativas.
– Essa percepção aparece em relatos sobre:
– reorganização das atividades;
– flexibilização dos jogos;
– adaptação de materiais;
– adequação dos níveis de dificuldade;
– valorização das potencialidades individuais.
4.2 Neurodivergência e transformação do olhar pedagógico
Diversos depoimentos demonstram que a formação produziu deslocamentos importantes no modo como os participantes compreendem a neurodivergência e as possibilidades de participação dos estudantes.
Uma participante relata:
“Somente por meio desse novo olhar voltado para inclusão ampla é que se possibilita uma comunicação e respeito mais humano.” — Marilsa Oliveira Silva
Outro depoimento evidencia transformação ética da prática pedagógica:
“Por meio das estratégias apresentadas são totalmente aplicáveis à prática.” — Érica Nogueira
Também aparecem registros relacionados à necessidade de adaptação contínua:
“Fazendo adaptação necessária de acordo com a dificuldade dos alunos.” — Karen Santos
Os relatos demonstram que a formação possibilitou ampliação da sensibilidade pedagógica e fortalecimento da – compreensão sobre acessibilidade relacional.
Outro aspecto fortemente presente foi a discussão sobre neurodivergência.
– Os depoimentos evidenciam necessidade significativa de formação sobre:
– autismo;
– transtornos do neurodesenvolvimento;
– comunicação;
– participação;
– manejo pedagógico.
Muitos participantes relatam que a formação possibilitou:
– compreender melhor os estudantes;
– ampliar a sensibilidade;
– desenvolver novas formas de mediação;
– reorganizar a prática pedagógica.
Os registros demonstram que a formação produziu não apenas aprendizagem técnica, mas deslocamentos éticos relacionados ao modo de perceber os estudantes neurodivergentes.
4.3 A potência das vivências práticas
As vivências corporais e dinâmicas práticas aparecem como um dos aspectos mais valorizados pelos participantes.
Uma participante destaca:
“Todas as atividades podem ser aplicadas a todos estudantes da rede, pois os professores usam materiais de fácil alcance.” — Cristiane de Oliveira Ronco
Outro depoimento ressalta:
“As brincadeiras e jogos foram excelentes.” — Luís Antonio Flores
Também surgem comentários relacionados à aplicabilidade imediata:
“Os níveis de aplicação dos jogos e brincadeiras só aumentam os graus de dificuldades.” — Cleonice Pereira da Silva
Os participantes destacaram que as vivências permitiram:
– compreender concretamente os princípios inclusivos;
– experimentar adaptações;
– construir estratégias coletivas;
– visualizar possibilidades reais de aplicação.
Esse dado reforça as contribuições de João Batista Freire sobre a potência pedagógica da experiência corporal e da aprendizagem participativa.
As experiências corporais e dinâmicas práticas aparecem como um dos aspectos mais valorizados pelos participantes.
Os depoimentos frequentemente mencionam:
– jogos;
– brincadeiras;
– dinâmicas;
– experiências coletivas;
– atividades adaptáveis.
Os participantes destacaram que as vivências permitiram:
– compreender concretamente os princípios inclusivos;
– experimentar adaptações;
– construir estratégias coletivas;
– visualizar possibilidades reais de aplicação.
Esse dado reforça as contribuições de João Batista Freire sobre a potência pedagógica da experiência corporal e da aprendizagem participativa.
4.4 Humanização das relações pedagógicas
Outro tema recorrente refere-se à humanização.
Os participantes associam inclusão a:
– empatia;
– acolhimento;
– escuta;
– convivência;
– valorização das singularidades.
Os depoimentos revelam forte mobilização emocional, especialmente nos módulos finais.
Uma participante afirma:
“Foi muito importante essa formação, abriu os horizontes para aprender e praticar em sala de aula.” — Mônica Gonçalves
Outro relato evidencia o impacto subjetivo da experiência:
“Muito importante essa formação com as vivências, troca e etc.” — Marilene Cristina Lemes Barbosa
Também aparece a percepção de transformação do olhar pedagógico:
“Os conteúdos foram agregadores.” — Cristiane de Oliveira
Expressões relacionadas a: reflexão, mudança de olhar, sensibilização, transformação e novas perspectivas aparecem com frequência crescente ao longo da formação.
Evolução Reflexiva dos Participantes ao Longo da Formação
Um dos aspectos mais significativos observados nesta pesquisa foi o aprofundamento progressivo da qualidade reflexiva dos depoimentos ao longo dos módulos.
Nos primeiros encontros predominavam respostas mais objetivas e relacionadas à satisfação imediata com os conteúdos.
Entretanto, ao longo da formação começam a surgir depoimentos mais elaborados, com maior autorreferência, reflexão sobre a prática docente, análise crítica da realidade escolar, preocupação ética com inclusão e articulação entre teoria e prática.
Esse movimento sugere que a formação operou como processo contínuo de amadurecimento pedagógico.
Os participantes passaram gradualmente a descrever experiências concretas, a relacionar conteúdos à realidade escolar, reconhecer desafios institucionais, propor adaptações e refletir sobre pertencimento e acessibilidade.
Tal elemento é extremamente relevante do ponto de vista da formação continuada.
Os resultados indicam que processos formativos prolongados tendem a produzir impactos mais profundos do que ações pontuais ou exclusivamente expositivas.
Os resultados desta pesquisa evidenciam que a formação “SIM para a Inclusão” produziu impactos que ultrapassam significativamente o nível técnico-metodológico.
A análise dos depoimentos demonstra que os participantes não apenas aprenderam estratégias inclusivas, mas passaram a revisitar sentidos da própria prática pedagógica.
Esse aspecto aproxima-se diretamente das reflexões de Nóvoa (1995) sobre formação docente como processo de reconstrução identitária.
As formações analisadas indicam ter criado espaços de escuta, participação, reconhecimento, pertencimento e produção coletiva de sentido.
Outro aspecto relevante refere-se à relação entre emoção e aprendizagem.
Os módulos com maior intensidade vivencial apresentaram também maior profundidade reflexiva nos depoimentos.
Isso sugere que experiências corporais e dinâmicas participativas possuem elevada capacidade mobilizadora.
As contribuições de João Batista Freire ajudam a compreender esse fenômeno.
Ao valorizar o corpo como linguagem e experiência cultural, o autor aponta que aprendizagens significativas emergem justamente da relação entre a experiência, a participação, a afetividade e a convivência.
As vivências práticas desenvolvidas na formação parecem ter permitido que os participantes compreendessem inclusão não apenas como conceito abstrato, mas como experiência relacional concreta.
Outro aspecto central refere-se à neurodivergência.
As contribuições de Lucelmo Lacerda ajudam a compreender a complexidade desse cenário.
Ao discutir inclusão de estudantes autistas e neurodivergentes, o autor enfatiza que práticas pedagógicas inclusivas precisam ultrapassar ações improvisadas e produzir efetiva acessibilidade curricular e relacional.
Nesse sentido, a formação analisada parece ter contribuído justamente para ampliação do repertório pedagógico dos participantes, sobretudo no que se refere à adaptação das atividades, organização das experiências corporais e construção de estratégias de participação.
Os depoimentos demonstram que os profissionais da educação vivem intensas tensões diante dos desafios relacionados à inclusão escolar e muitos registros revelam insegurança, necessidade de repertório, desejo de compreender melhor os estudantes e necessidade de adaptação pedagógica.
Nesse sentido, a formação funcionou também como espaço de legitimação das dificuldades vividas pelos profissionais.
As contribuições da Dra. Raquel Del Monde tornam-se especialmente relevantes nesse contexto.
Ao enfatizar pertencimento, acessibilidade relacional e humanização pedagógica, suas reflexões ajudam a compreender que inclusão não pode ser reduzida a protocolos técnicos.
Trata-se sobretudo da construção de relações pedagógicas capazes de reconhecer singularidades sem transformar diferenças em exclusão.
Entretanto, a pesquisa também revela desafios importantes.
Embora os índices quantitativos tenham sido extremamente positivos, parte dos depoimentos ainda apresenta baixa elaboração crítica.
Muitos participantes registraram avaliações genéricas, como:
– “muito bom”;
– “ótima formação”;
– “totalmente aplicável”.
Esses registros evidenciam satisfação, mas nem sempre demonstram transformação pedagógica profunda.
Isso sugere que processos de sensibilização, embora fundamentais, precisam ser acompanhados por:
– aprofundamento metodológico;
– acompanhamento institucional;
– monitoramento das práticas;
– continuidade formativa.
Outro aspecto importante refere-se à dimensão institucional.
Grande parte dos depoimentos concentra-se nas experiências individuais dos participantes, havendo menos referências à transformação coletiva das escolas enquanto organizações pedagógicas.
Esse dado sugere que a formação impactou fortemente os sujeitos, mas ainda possui potencial para ampliar sua incidência sobre cultura institucional, gestão escolar, reorganização curricular e políticas inclusivas das redes de ensino.
Ainda assim, os resultados demonstram que formações centradas na experiência, na participação e na humanização possuem enorme potência de mobilização pedagógica.
Mais do que transmitir conteúdos sobre inclusão, a formação parece ter criado condições para que os profissionais revisitassem sentidos da própria docência.
Considerações Finais
A formação realizada no município de Francisco Morato/SP, demonstrou elevado impacto pedagógico, humano e subjetivo.
Os resultados quantitativos evidenciam forte aprovação dos participantes e elevada percepção de aplicabilidade prática.
Já a análise qualitativa revela que a formação produziu:
– sensibilização;
– revisão da prática docente;
– fortalecimento das perspectivas inclusivas;
– ampliação do repertório pedagógico;
– valorização das singularidades;
– reflexão ética sobre inclusão e neurodivergência.
Os depoimentos demonstram que processos formativos centrados em participação, experiência corporal, vivências práticas, reflexão coletiva e humanização possuem elevada capacidade de mobilização pedagógica.
Observou-se ainda aprofundamento progressivo da qualidade reflexiva dos participantes ao longo dos módulos, indicando que a formação funcionou como processo contínuo de amadurecimento pedagógico.
Conclui-se que iniciativas formativas dessa natureza possuem importante potencial para fortalecimento das práticas inclusivas nas redes públicas de ensino.
Entretanto, os resultados também apontam a necessidade de:
– continuidade formativa;
– acompanhamento institucional;
– aprofundamento metodológico;
– monitoramento das mudanças pedagógicas;
– fortalecimento das políticas inclusivas escolares.
Mais do que capacitar tecnicamente, formações inclusivas precisam produzir deslocamentos éticos, afetivos e pedagógicos capazes de transformar as experiências escolares.
DEL MONDE, Raquel. Estudos sobre inclusão, neurodivergência e humanização pedagógica.
FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 1997.
INSTITUTO ESPORTE E EDUCAÇÃO. Materiais pedagógicos diversos.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
NÓVOA, António. Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1995.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.

